Em
meio a penumbra da vida eu me encontro, batendo em várias portas, a vagar por
caminhos até então desconhecidos por mim. Mas oque fazer?...Aaah! se eu pudesse
voltar para o colo materno, onde eu era protegido pelo manto da inocência e não
sabia de nada do que hoje sei. Mas não posso ficar preso a esse saudosismo ao
qual não me levará a lugar algum. É preciso seguir adiante, mas para onde? Pois
nada vejo a não ser a escura noite fria ao qual estou imerso. É necessário
tomar uma decisão.
Decidi
não ficar parado, mesmo que as vezes ache que nada do que faço tenha sentido ou
valor. Mas o que é sentido e o que é valor? Será que me permiti perder os
significados ao qual dei a minha vida? Mas será que estou realmente vivendo? As
vezes tenho medo de encontrar essa resposta, e passar a ter a certeza que
passei a vida inteira não sendo eu e não vivendo, mas, vegetando. E os meus
valores? Será que foram desvalorizados? Ai meu Deus! E Deus? Quem ele é? Por mais
que eu questione, nunca chegarei a uma resposta que abarque toda essa realidade
ao qual ele é. Ao pensar nele, penso automaticamente em mim. Pois ouvi falar
que sou uma fagulha de seu amor. Uma faísca dessa imensidão, dessa infinitude
ao qual ele é. Mas Deus, Deus! Estou aqui, sentado, banhado e revestido de meus
preconceitos, aos quais me prendem e me fazem cativo nessa superfície, e
impedem-me de te conhecer, de conhecer o meu próximo.
Preciso
levantar-me, continuar a caminhar, a buscar meus valores e significados, meu
ponto de chegada e nunca me esquecer do ponto de partida, que é a base de tudo. Mas se continuar estacionado na
mesmice de sempre, nada farei, nada acontecerá. Vamos, é necessário! Mas para
onde? Para onde mandar meu coração. E onde este quer me guiar? Pelos caminhos
da vida. Da vida bem vivida que me faz ter um encontro comigo mesmo, e
conhecer-me , e assim, matar os dragões e espantar os fantasmas que me
assombram e causam pânico.
( Rene José de Sousa )