É
festa na rua e no coração, sons de fogos de artifício ribombando com as rimas
das quadrilhas, aquecidas nas fogueiras dos santos juninos (São Antônio, São
João Batista, São Pedro e São Paulo) e que arraigados na cultura popular é
impossível pensar no mês de junho e não festejá-los. É um período forte para o povo simples,
principalmente do interior, pois é nesse mês que muitos se reúnem para festejar
a vida e o encontro com aqueles que moram longe. Há uma mística forte que
envolve estas festas, que trás alegria ao coração e paz à alma. É Deus que nos
visita por meio de seus santos, e onde há Deus, não existe tristeza, não há
trevas, mas calor fraternal, humildade, amizade e amor.
No
dia 13 de junho, comemora-se Santo Antônio.
Homem simples, cujo nome de registro é Fernando de Bulhões y Taveira de
Azevedo, nasceu em Lisboa no ano de 1195. Entrou aos quinze anos no colégio dos
Cônegos Regulares de Santo Agostinho. Ao
saber da história dos cinco frades franciscanos martirizados no Marrocos,
decide entrar na Ordem dos frades mendicantes de Coimbra com o nome de Antônio
Olivares. “Foi designado para a província franciscana da Romagna e viveu a vida
eremítica num convento perto de Forli. Incumbido das humildes funções de
cozinheiro, frei Antônio viveu na obscuridade até seus superiores, percebendo
seus extraordinários dons de pregador, enviaram-no pela Itália setentrional e
pela França a fim de pregar nos lugares onde a heresia dos albigenses era mais
forte” (SGARBOSSA, M.;GIOVANNINI,L. Um
santo para cada dia. São Paulo: Paulus, 1996. p.186). Em 13 de junho de
1231, atingido por uma doença inesperada, morre em Arcella. Foi canonizado em
Pentecostes de 1232 sob aclamação popular e cuja devoção de estende de época em
época.
No
dia 24 de junho celebra-se a solenidade do nascimento de São João Batista.
Primo de nosso Senhor Jesus Cristo, é tido como o maior profeta entre os nascidos
de mulher ( Lc 7,28) e cuja missão foi preparar os caminhos do Senhor (Lc 1,76;
Mc 1,3) e apontar para Jesus, o verdadeiro Cordeiro de Deus que tira o pecado
do mundo (Jo 1,29). Tal função de profeta e precursor, rendeu-lhe a coroa do
martírio, pois denunciava a hipocrisia e a imoralidade dos líderes religiosos e
governantes da época.
No
dia 29 de junho, celebra-se a solenidade dos apóstolos e mártires São Pedro e
São Paulo. Pedro, o primeiro papa, é o portador das chaves do céus (Mt 16,19).
Paulo, conhecido como o apóstolo dos gentios (2 Tm 1,11), deu a sua vida em
prol da construção do Reino de Deus. Homens de personalidades diferentes, mas
com o mesmo propósito, anunciar Jesus como Senhor e Salvador (Ef 3,11). “São
Pedro e São Paulo, de fato, embora não tenham sido os primeiros a trazer a fé a
Roma, foram realmente os fundadores da Roma Cristã: um antigo hino litúrgico definia-os
como pais de Roma; um dos hinos do novo breviário fala de Roma que foi fundada
em tal sangue. A palavra e o sangue são as sementes com que os santos Pedro e
Paulo, unidos com Cristo, geraram e geram a Roma cristã e a Igreja inteira” (SGARBOSSA,
M.;GIOVANNINI,L. Um santo para cada dia.
São Paulo: Paulus,1996. p.204) .
Para
encerrar esta pequena reflexão, evoco
uma famosa e popular canção dos meus tempos de criança, que ainda trago
na lembrança, e que gostaria de fazê-la
como uma oração: “O balão tá subindo, tá
caindo a garoa, o céu é tão lindo e a noite é tão boa. São João, São João, acende a fogueira do meu
coração”. Que pela intercessão dos
santos juninos, caia em nosso Brasil a garoa necessária para reabastecer nossos
reservatórios de água, e principalmente aplacar a sede dos que jazem em meio a
seca. E que os nossos corações se reinflame de tal modo que, não possamos mais
suspirar pelas futilidades da vida, mas pelo nosso Senhor que vem e nos convida
a servi-lo naqueles que sofrem (Mt 25 42-43). Ao celebrarmos tais santos, não
fiquemos presos na superficialidade dos contos e milagres que surgiram ao redor
deles, mas no propósito de suas vidas, intimidade com Cristo Jesus. Que por
meio de seus exemplos e testemunhos, possamos assumir nossa identidade de
Cristão Católico e anunciarmos o Senhor Jesus que dá vida aos que anseiam por
vida, através da vivencia evangélica, dando testemunho daquilo que rezamos e
celebramos.
Rene José de Sousa
