sexta-feira, 21 de junho de 2013
Realidade fria e cruenta...
A atual sociedade é marcada por uma cultura do descartável, onde se desvaloriza o ser humano, transformando-o em mero objeto, que quando não tiver mais serventia será arremessado ao lixo, onde deixará de ser gente (ser humano), para transformar-se em algo qualquer, esquecido e aniquilado nas margens da existência. E este novo jeito de ser é fortalecido e propagado pelo capitalismo, sistema desumano, monstruoso e opressor, que esmaga milhões com suas “grandes patas”, destruindo e gerando vazio existencial. Cultura esta que também influencia a religião (teologia), “tornando-a sua serva”, camuflada com belas roupagens e enfeitada por uma espiritualidade vazia e desnecessária que desvaloriza o relacionamento entre pessoas (principalmente entre os “diferentes” culminando nas intolerâncias), inserindo-as no individualismo, onde se faz valer os próprios interesses, que nada mais são os reflexos desse sistema que segrega e mata todos os que não o segue. Conquista e arrebanha pessoas pela cruz como no império bizantino, mas ao invés de denunciar, compactua-se, gerando e reproduzindo pessoas despedidas de sentimentos, transformadas em máquinas. Infiltrada no meio teológico, podemos perceber nas diversas confissões religiosas incluindo as cristãs, discursos e práticas imbuídas por esse sistema, inserindo e inculcando no indivíduo um imediatismo tanto espiritual quanto temporal, que o isenta de uma responsabilidade social, com o meio em que vive, fazendo valer somente seus interesses pessoais,gerando uma sociedade marcada pela falta de paciência e comprometimento que, como fora dito anteriormente nada mais é do que reflexo do sistema que criou morada no meio religioso. Como já denunciava o Prof. Dr. Pe. Agenor Brighenti: “Também a religião passa a ser consumista, centrada no indivíduo e na degustação do sagrado, entre a magia e o esoterismo...”, novamente podemos perceber o retrocesso, aquele que se autocomunica por livre vontade e amor, passa a ser comercializado e oferecido como produto nas diversas prateleiras dos grandes “supermercados religiosos”, que se encontram em qualquer esquina.
Laços foram desfeitos, relacionamentos interrompidos, e a religião seria a construtora de pontes, onde religaria e reestabeleceria tudo aquilo um dia fora desfeito, mas como fora dito anteriormente, esta se deixou embebedar pelo lucro fácil e ao invés de ponte, passou a ser o pedágio ao qual se tem que pagar para poder extasiar-se com o sagrado e nele fazer sua experiência, não que este venha a cobrar, mas os homens que respondem e falam por ele assim o fazem, desvirtuando assim todo enlaço e reencanto que deveria surgir. O intuito desta reflexão não é de modo algum desmoralizar tais instituições, mas pelo contrário, refletir sobre o reflexo do capitalismo na religião (teologia) e as consequências que este provoca na vida do homem contemporâneo que se deixa seduzir por tal saborosa e intrigante inversão de valor, que induz a sociedade a “confundir-se prosperidade material com salvação pessoal”, duas realidades distintas, mas misturada na mesma panela e servida ao povo. É necessário, fazer o caminho inverso, retornar as origens para resgatar o que fora esquecido, perdido, pois caso contrário, seremos uma cambada de primata despida de sentimentos transformada e meras máquinas, onde se tornam frios e calculistas.
Vós sois homens, não sois máquinas, já denunciava Charles Chaplin, em o último discurso de o grande ditador, é necessário voltar a ser humano coberto pelo manto da sensibilidade que percebe e sente aquele que está ao lado. Trazer a tona aquela novidade tão antiga e atual que nos insere no mundo, fazendo daqueles que nele habita nossos irmãos, corresponsáveis por tudo que nos cerca, sendo agentes transformadores de si e do meio em que vivem, fazendo chegar à mudança que tanto almejamos. Mas esta só chegará a partir da tomada de consciência de tais acontecimentos na sociedade, e só chegará à consciência plena de tal efeito destrutivo infiltrado em nosso meio quando se desvendar os olhos e observar a realidade fria e inanimada a qual estamos inseridos.
segunda-feira, 17 de junho de 2013
O abandono...
Abandonar-se
em Deus é pôr-se a caminho, em uma estrada fria e escura, cheia de pedregulhos
e iluminar-se somente com a fagulha brilhante de nossa alma, que um dia fora acesa.
Esse caminhar é confiar, mesmo quando aquele que nos chamou põe-se em silencio,
as vezes este calar-se do divino incomoda, gerando desanimo, medo, incertezas,
mas mesmo assim nesta fria estrada é necessário caminhar, fazer caminhos pelas
trevas da incerteza, ferindo os pés nos espinhos do orgulho e a soberba e
continuar confiando, pois a chama brilhante da alma daquele que crê o consola e
fortalece.
O
abandono em Deus não é algo fácil, que se começa hoje e tudo prossegue em mar
de rosas, pelo contrário, sempre existe um espinho em meio as belas e
perfumosas rosas, este não anula a beleza e a fragrância de tão formosa flor,
pelo contrário, a torna mais ainda desejada pelas pessoas. O exemplo da rosa,
traduz para nós a confiança que devemos ter no Bom Mestre, mesmo que se fira os
pés e seja banhado pelo desanimo, somos convidados a contemplar a beleza e odor
do divino que se apresenta a nós, afagando-nos, curando as feridas abertas e
impelindo-nos a caminhar e orientando-nos a não ficarmos presos ao que já passou, pois nosso passado não mais do que o
amor que Ele sente por cada um de nós.
Fazer
a experiência do amor é participar da intimidade do Senhor, permitindo que este
nos ampare em seu colo materno-paterno, e ao sermos consolados, postos
novamente a caminhar, não por maldade, mas por zelo e sabedoria, pois sabe que somos
acomodados, e ao passo que nos familiarizamos (acostumamos) com algo, passamos
a não perceber a novidade que nos apresenta constantemente, fechando-nos
naquilo que fora vivenciado e não atualizando tal amor e sentimento de pertença
com aquele que tudo pode, pois conhece por completo os filhos que tem, e sabe
que para se aprender a andar é necessário cair, não uma,mas várias vezes nessa
via que somente Ele sabe onde chegara.
domingo, 9 de junho de 2013
A viúva...
O
mundo praticamente havia acabado naquele momento para aquela mãe, seu único
filho havia falecido, estava desestruturada, sem chão, pois o fruto do seu
ventre estava ali, diante dos seu olhos materno, inanimado,frio, sem vida. Imagine
a dor que aquela pobre e simples viúva sentia. Viúva e agora sem seu amado
filhinho, provavelmente era ele que ajudava a prover o sustento na casa, pois
naquela época, as viúvas eram desamparadas, desvalidas, não que elas não
tivessem valor em si, pelo contrário, eram portadoras de tal, mas não era
legitimado pela sociedade machista, cruel, fundamentalista e opressora, pois
era mulher e não possuía nem voz nem vez, mulher silenciada, maltratada, que
tinha como consolo somente suas lágrimas, amargas, dolorosas e angustiadas.
Não
se via mais esperança em seu olhar, a luz que deveria haver no fim do túnel,
simplesmente não brilhara para ela até o momento, o mundo havia caído em sua
cabeça, e em passos lentos entregava o corpo de seu único filho ao mundo dos
mortos. Não porque ela quisesse, mas porque assim se sucedeu. Eis que sem sua
percepção, um consolo singelo tocou-lhe a alma, não chores! Dizia uma voz,
amável e profunda. Ao passo que se ouvia tal palavras, algo diferente surgia
naquela pobre e triste existência, as trevas
começaram a se dissipar, pois fagulhas de luz que se tornavam raios de
amor a visitava, tornando o impossível possível, restituindo a vida aquele que
adormecia no sono da morte. Não muito diferente, hoje em pleno século XXI,
muitos caminham desnorteados nas estradas da vida, perdidos, desesperançados,
não vislumbram nenhuma faísca de luz ou esperança, pois fizeram do túmulo suas moradas,
transformando-se num morto-vivo.
Acostumados
com a ausência de vida, perambulam de um lado ao outro, e com isso não percebem
a novidade viva e eterna que se aproxima ou passa ao redor, Jesus, verdadeiro
Deus e verdadeiro homem, que se compadece estendendo a mão. As vezes o túmulo é
mais cômodo do que o levantar e tomar posse da vida nova que é oferecida, a
novidade causa medo e este trava nossas pernas e braços impossibilitando-nos de
sair. Ao refletirmos sobre a viúva de Naim, somos convidados a nos levantar,
revestindo-nos com o manto da vida e esperança que o Senhor nos oferece, ao
passo que esta ressoe no mais íntimo de nosso ser, no plano puramente físico,
em relação a nós, ao outro e ao mundo. O aderir a vida, é revestir-se da luz e
lutar contra tudo que gera morte e trevas, a começar em nós, em seguida em
nossa família e a partir desta vivencia pura e amorosa, refletir na sociedade, chagada pelas desgraças do
desamor, indiferença, orgulho e ganância. Temos que transformar a vida em ação,
pleno movimento rumo ao próximo e automaticamente se direcionará ao Criador que
nos visitou, e visita constantemente e esta não se dá de modo algum vazia, despida de sentido, mas na plenitude
da graça que nos impele pela fé a ressignificar nossa existência em Cristo e
por Cristo, pois somente Ele é que pode proporcionar tal mudança em nosso ser,
porque somos um risco que Deus assumiu com amor e misericórdia, caso contrário,
continuaremos a vagar sem sabermos onde queremos chegar.
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