“Fumaça
que vai subir, vai dizer lá no além, vai falar pra Deus do céu fumaça, o peso
que a Terra tem”.
Outro
dia estava a refletir com essa pequena antífona, ou mantra, ou qualquer outra
coisa que queiram chama-la. Esta vem como um grito de angústia que jorra do
peito humano, aberto pelo desespero e o medo da incerteza de não sabermos onde
estamos andando e o que estamos buscando devido a falta de referencial a ser
seguido.
Somos
seres caminhantes, que procura encontrar-se para que a partir deste, amenize o
desespero do existir ao qual estamos condenados. Caminha-se por várias
estradas, as vezes quando não se está satisfeito, inventa-se trilhas em meio a
mata escura e fria, que muitas vezes leva o indivíduo ao precipício, abismos
profundos que favorecem a perda de si e morte propriamente dita ou das
possibilidades, aquilo que um dia poderia ser, mas que não é mais. A existência
humana lança um grito ao infinito, na esperança que este o ajude, sustente seus
passos em meio a podre lama que se encontra e que fora permitida formar-se ao
redor deste. Mas como ajudar este indivíduo que na maioria das vezes, escolhe
ficar na encruzilhada da vida sem querer ao menos caminhar ou tentar uma
movimentação interna que o faça despertar para um novo amanhecer?
É cômodo
as vezes ficar ao chão sujo, imundo, pois ao menos tem-se a sensação de estar
fora daquilo que é próprio nosso, isento da responsabilidade de estar
vivo. É necessário levantar, pôr-se a caminho, ir atrás daquilo
que um dia nos fora tirado, roubado. Restituir-nos aquilo que um dia por medo deixamos se perder
ou que alguém o tirasse de nós. É válido aqui fazer um questionamento: “O que
foi de mais valioso que você permitiu que te tirassem”?
Suba
fumaça! Vá para o mais alto céu e entregue ao Senhor do mundo o clamor dos que
aqui gemem e choram. Vá, e que nada e nem ninguém impeça sua subida, pois já se
aguenta mais o peso deste mundo desumano, despido daquilo que um dia fora belo
e augusto. Vá! E fale do egoísmo, injustiça, orgulho e ódio que aqui impera.
Que ao subir, recaia sobre nós a humanidade que um dia fora perdida ou
escondida por nós mesmo, calcada naquilo que o outro nos fez.
(
Rene José de Sousa )
