terça-feira, 13 de novembro de 2012

Nada mais que hoje


Estive nos infernos e ao mesmo tempo fui arrebatado ao céu. Céu e inferno, duas potencias vivas e fecundas no ser humano. Forças que habitam o mais profundo  intimo do ser do homem. Não é algo que ainda está por vir, ou que se está construindo, é o aqui, o agora, está em nosso interior e cabe  escolhermos qual desses viver. As vezes nem se escolhe, somente vive-se. Mas cabe a nós fazer a escolha se queremos ou não ficar em tal estado de espírito.
Mas o que é céu e inferno?  Buscaremos a resposta no dicionário, que nos oferece a seguinte definição, céu: “Espaço infinito que se move os astros ou região superior, tida como morada da divindade e dos bem aventurados”. Inferno: “Lugar destinado ao suplício dos condenados as penas eternas. Lugar onde se tem de sofrer muito”. Podemos perceber nas duas definições que é lugar, espaço físico, não distante, mas próximas de cada ser, realidade interior de cada mortal, que reflete no seu exterior. Criamos estes ambientes a partir daquilo que passamos a buscar para nossa vida. Não há vida sem escolhas, se vives sem escolher, logo não estás vivendo mas vegetando,se vegetas, não és o protagonista da tua história, e este é um dos piores males, viver a vida (história) de outra pessoa. E quando não se toma cuidado, passa-se uma existência inteira preso a essa realidade cruel,fria e cruenta, assumindo traços de outros. As vezes é mais cômodo esconder-se dessa condição humana utilizando máscaras, refugiando-se em mentiras e ilusões que se vai adquirindo ao longo da vida. Mas será que se está sendo autentico vivendo assim? E a felicidade?
Hoje muitos não buscam a experiência de se estar vivo, pelo contrário, se aniquila, se ausenta, estacionando na vida da existência. Eis o que é o inferno, é a vida mal vivida, como relatada anteriormente. E o que seria a vida bem vivida? Seria a experiência do céu, o permitir-se viver, fazer a “experiência da vida, de modo que nossas experiências de vida, no seu plano puramente físico, tenha ressonância no interior de nosso ser e de nossa realidade mais intima, de modo que realmente sintamos o enlevo de estar vivo”. Percebe-se agora? É permitir que aconteça agora, nesse momento, não amanhã ou depois. O céu começa agora, a partir do quebrantar do coração, tomando consciência do que somos e do que queremos, e em seguida tudo isso refletirá no mais intimo de nosso ser, chegando até aqueles que nos cercam.
É necessário fazer a migração de um lugar para o outro, passamos por isso, mas não podemos ficar presos, é necessário colocar-se em pé, pôr-se a caminho, pois este se faz caminhando e a experiência da vida se faz vivendo, pelo fato desta ser um brevíssimo segundo, que nos escapa e foge, e que para realizamos todos os anseios do nosso coração (existir), não temos nada mais que hoje.

( Rene José de Sousa )