Procuramos
nas redes sociais, nas bebidas, drogas, nos vários vícios da vida, algo que
venha fornecer uma solução (resposta) para nossa existência. Esperamos que
estes preencham o vazio que carregamos em nosso interior, nos tornando mais
fortes diante do desafio da existência. Mas em que consiste tudo isso? Esse estar não estando, viver não vivendo,
mas somente existindo. Existir para sofrer, sofrer para existir, reproduzir o
que já fora estabelecido e continuar na mesmice de sempre que nunca se renova,
mas somente se repete. Podemos definir
nossa existência como fazer e fazer que não se resuma em nada mais do que
aquilo que se vê?
Será
que tudo se encerra do jeito que fora mencionado anteriormente? Creio que não. Acredito piamente que a existência
humana transcende toda e qualquer forma de prisão, pois somos dotados de uma
força interna capaz de renovar o vaso velho e quebrado que a maioria das vezes somos e não temos
coragem de enxergar e assumir . Somos este vaso, que necessita ser consertado,
pois trazemos em nosso ser várias rachaduras causadas pela vida. Cada fissura
traz junto de si uma história pessoal e intransferível, vivida de forma única.
É necessário ser restaurado, passar pelas mãos do oleiro para sair novo. E nesse
estar diante do oleiro, vamos percebendo que em todo percurso que fizemos, em
toda rachadura que adquirimos, algo novo saiu de nós para ir de encontro a
outrem. Percebe-se que em todo vaso rachado, ainda sendo usado, escorre um
pouco de água que vai caindo e molhando a terra seca. De início podemos não
entender ou até mesmo nem perceber, mas, quando paramos para contemplar aquilo
que está ao nosso redor, perceberemos que em todo o caminho percorrido, onde às
vezes fomos perfurados, pingaram-se gotas, e ao longo da estrada umedecida foi
nascendo flores, e estes foram dando vida aquilo que já estava perdido, quase
morto.
Ao
refletirmos sobre as cicatrizes que adquirimos neste constante caminhar,
perceberemos que delas surgiram vida, ou nós que por alguma situação estávamos secos
e não encontrando mais sentido para viver, fomos encharcados por esta água
fazendo-nos recuperar o ânimo para continuar a caminhar. Não permita que o
sofrimento apague a sua chama da vida. Olhe o exemplo da vela, que às vezes é
arranhada, quebrada, perfurada, mas sempre protegendo o pavio ao qual levará o
fogo para aquecer e iluminar aqueles que a cercam. É necessário olhar mais adiante,
e ressignificar todo o trajeto percorrido, não ficando preso somente a momentos
felizes, temos que do mesmo modo, encontrar sentido na tristeza, nas coisas “ruins”
que nos ocorre, pois toda experiência que obtemos é a partir destes que
conseguimos dar continuidade ao constante caminhar.
Luz
e Paz ao teu coração!
(Rene
José de Sousa)
como sempre tocando fundo em nosso coração e em nossa mente....faz-nos refletir muito sobre quem somos de onde viemos e o que vamos fazer de nos mesmos.......
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