O
mundo praticamente havia acabado naquele momento para aquela mãe, seu único
filho havia falecido, estava desestruturada, sem chão, pois o fruto do seu
ventre estava ali, diante dos seu olhos materno, inanimado,frio, sem vida. Imagine
a dor que aquela pobre e simples viúva sentia. Viúva e agora sem seu amado
filhinho, provavelmente era ele que ajudava a prover o sustento na casa, pois
naquela época, as viúvas eram desamparadas, desvalidas, não que elas não
tivessem valor em si, pelo contrário, eram portadoras de tal, mas não era
legitimado pela sociedade machista, cruel, fundamentalista e opressora, pois
era mulher e não possuía nem voz nem vez, mulher silenciada, maltratada, que
tinha como consolo somente suas lágrimas, amargas, dolorosas e angustiadas.
Não
se via mais esperança em seu olhar, a luz que deveria haver no fim do túnel,
simplesmente não brilhara para ela até o momento, o mundo havia caído em sua
cabeça, e em passos lentos entregava o corpo de seu único filho ao mundo dos
mortos. Não porque ela quisesse, mas porque assim se sucedeu. Eis que sem sua
percepção, um consolo singelo tocou-lhe a alma, não chores! Dizia uma voz,
amável e profunda. Ao passo que se ouvia tal palavras, algo diferente surgia
naquela pobre e triste existência, as trevas
começaram a se dissipar, pois fagulhas de luz que se tornavam raios de
amor a visitava, tornando o impossível possível, restituindo a vida aquele que
adormecia no sono da morte. Não muito diferente, hoje em pleno século XXI,
muitos caminham desnorteados nas estradas da vida, perdidos, desesperançados,
não vislumbram nenhuma faísca de luz ou esperança, pois fizeram do túmulo suas moradas,
transformando-se num morto-vivo.
Acostumados
com a ausência de vida, perambulam de um lado ao outro, e com isso não percebem
a novidade viva e eterna que se aproxima ou passa ao redor, Jesus, verdadeiro
Deus e verdadeiro homem, que se compadece estendendo a mão. As vezes o túmulo é
mais cômodo do que o levantar e tomar posse da vida nova que é oferecida, a
novidade causa medo e este trava nossas pernas e braços impossibilitando-nos de
sair. Ao refletirmos sobre a viúva de Naim, somos convidados a nos levantar,
revestindo-nos com o manto da vida e esperança que o Senhor nos oferece, ao
passo que esta ressoe no mais íntimo de nosso ser, no plano puramente físico,
em relação a nós, ao outro e ao mundo. O aderir a vida, é revestir-se da luz e
lutar contra tudo que gera morte e trevas, a começar em nós, em seguida em
nossa família e a partir desta vivencia pura e amorosa, refletir na sociedade, chagada pelas desgraças do
desamor, indiferença, orgulho e ganância. Temos que transformar a vida em ação,
pleno movimento rumo ao próximo e automaticamente se direcionará ao Criador que
nos visitou, e visita constantemente e esta não se dá de modo algum vazia, despida de sentido, mas na plenitude
da graça que nos impele pela fé a ressignificar nossa existência em Cristo e
por Cristo, pois somente Ele é que pode proporcionar tal mudança em nosso ser,
porque somos um risco que Deus assumiu com amor e misericórdia, caso contrário,
continuaremos a vagar sem sabermos onde queremos chegar.
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