Abandonar-se
em Deus é pôr-se a caminho, em uma estrada fria e escura, cheia de pedregulhos
e iluminar-se somente com a fagulha brilhante de nossa alma, que um dia fora acesa.
Esse caminhar é confiar, mesmo quando aquele que nos chamou põe-se em silencio,
as vezes este calar-se do divino incomoda, gerando desanimo, medo, incertezas,
mas mesmo assim nesta fria estrada é necessário caminhar, fazer caminhos pelas
trevas da incerteza, ferindo os pés nos espinhos do orgulho e a soberba e
continuar confiando, pois a chama brilhante da alma daquele que crê o consola e
fortalece.
O
abandono em Deus não é algo fácil, que se começa hoje e tudo prossegue em mar
de rosas, pelo contrário, sempre existe um espinho em meio as belas e
perfumosas rosas, este não anula a beleza e a fragrância de tão formosa flor,
pelo contrário, a torna mais ainda desejada pelas pessoas. O exemplo da rosa,
traduz para nós a confiança que devemos ter no Bom Mestre, mesmo que se fira os
pés e seja banhado pelo desanimo, somos convidados a contemplar a beleza e odor
do divino que se apresenta a nós, afagando-nos, curando as feridas abertas e
impelindo-nos a caminhar e orientando-nos a não ficarmos presos ao que já passou, pois nosso passado não mais do que o
amor que Ele sente por cada um de nós.
Fazer
a experiência do amor é participar da intimidade do Senhor, permitindo que este
nos ampare em seu colo materno-paterno, e ao sermos consolados, postos
novamente a caminhar, não por maldade, mas por zelo e sabedoria, pois sabe que somos
acomodados, e ao passo que nos familiarizamos (acostumamos) com algo, passamos
a não perceber a novidade que nos apresenta constantemente, fechando-nos
naquilo que fora vivenciado e não atualizando tal amor e sentimento de pertença
com aquele que tudo pode, pois conhece por completo os filhos que tem, e sabe
que para se aprender a andar é necessário cair, não uma,mas várias vezes nessa
via que somente Ele sabe onde chegara.
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