quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Vocação: Resposta ao Amor Libertador

Deus chama o homem a ser livre, liberto de todo tipo de prisão, tanto carnal quanto espiritual, para que, com base na liberdade, exerça sua função de semeador e agricultor da palavra de vida e verdade, num mundo que a cada dia se distancia da presença amorosa e misericordiosa de um Deus amante, que almeja somente o bem e a felicidade daqueles que foram criados a sua “imagem e semelhança” (Gn1, 26).
O Pai sempre cuida dos seus , e não permite de modo algum que estes se percam nos desertos  frios da vida, pois Ele é “ciumento e zeloso” (Is. 63,15). Este ciúme de Deus não é de modo algum pejorativo, mas, com base na liberdade e no cuidado, para que não se extraviem aqueles que são como as “pupilas de seus olhos”(Zc.2,8). Mesmo com tantos mimos, muitos se esquecem  e se rebelam contra Ele, e põe-se a caminhar em meio a penumbra,  fazendo sua morada nas trevas e descansando-se na “sombra da morte”(Lc.1,79). Ao se verem imersos na escuridão, tentam apoiar-se em seus próprios feitos e forças, buscando preencher o vazio com vazio em suas vidas, coisa que é impossível, pois são “cegos a guiar outros cegos”(Mt. 15,14), e se vêem em meio ao desespero e angústia, de terem se afastado daquele que emana em suma todo amor e acolhimento divinal. Ai se pergunta: Será que Deus se esqueceu de mim? Ou se faz surdo ao meu grito por socorro? A resposta para essas perguntas é não, Deus não rejeita oração e “não se esquece da aliança”(Sl 105,8), ou em outras palavras, Ele não despreza aqueles, cujos “nomes estão gravados em suas mãos e em seu coração”(Is. 49,16). O Pai nunca se esquece, pois Ele“não dorme e nem cochila”(Sl. 121,4), mas vai de encontro com aqueles que estão “perdidos e os resgatam”(Lc. 15,4), e esse processo se da por meio de homens corajosos que vão em busca daqueles que estão “gemendo e chorando no vale de lágrimas”, e os retira da cova dos leões, fazendo brilhar sua glória e seu poder por meio daqueles que Ele mesmo suscitou no meio do povo, para serem testemunhas vivas do Amor Misericordioso, que escolhe, capacita e envia  para que sejam “luz das nações”(At. 13,47).

Deus continua a chamar e enviar homens e mulheres para semear a palavra de esperança e amor, Ele não se cansa, sempre acredita e confia naqueles que foram escolhidos, e os sustentam com a “força que vem do alto”(Lc. 24,49), para adentrar nas prisões da vida e “libertar os cativos”(Lc. 4,18),fazendo brilhar sua comiseração junto aqueles que sofrem, para que libertos, façam a experiencia do amor e da liberdade  em Deus em suas vidas. Como havia dito, somos livre, porque Jesus nos libertou, e o amor  de Deus se da na liberdade humana, e assim,  parafraseando o filósofo Sartre, estamos condenados a ela, pois não existe amor sem liberdade,pois ambos andam juntos. E a vontade do Pai é que não haja ninguém nas amarras da vida, mas, gozando da liberdade em Cristo Jesus, para juntos como irmãos, membros da Igreja peregrina, em unidade e fervor , construamos a “civilização do amor”, onde impere  paz e  justiça a todos, sem distinção, mas em unidade de espírito para confessarmos juntos que “Jesus é o Senhor, para Glória de Deus Pai” (Fp.2,11). 
(Rene José de Sousa)

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