Deus chama o homem a ser livre, liberto de todo
tipo de prisão, tanto carnal quanto espiritual, para que, com base na
liberdade, exerça sua função de semeador e agricultor da palavra de vida e
verdade, num mundo que a cada dia se distancia da presença amorosa e
misericordiosa de um Deus amante, que almeja somente o bem e a felicidade daqueles
que foram criados a sua “imagem e semelhança” (Gn1, 26).
O Pai sempre cuida dos seus , e não permite de modo algum que estes se
percam nos desertos frios da vida, pois
Ele é “ciumento e zeloso” (Is. 63,15). Este ciúme de Deus não é de modo algum
pejorativo, mas, com base na liberdade e no cuidado, para que não se extraviem
aqueles que são como as “pupilas de seus olhos”(Zc.2,8). Mesmo com tantos
mimos, muitos se esquecem e se rebelam
contra Ele, e põe-se a caminhar em meio a penumbra, fazendo sua morada nas trevas e
descansando-se na “sombra da morte”(Lc.1,79). Ao se verem imersos na escuridão,
tentam apoiar-se em seus próprios feitos e forças, buscando preencher o vazio
com vazio em suas vidas, coisa que é impossível, pois são “cegos a guiar outros
cegos”(Mt. 15,14), e se vêem em meio ao desespero e angústia, de terem se
afastado daquele que emana em suma todo amor e acolhimento divinal. Ai se
pergunta: Será que Deus se esqueceu de mim? Ou se faz surdo ao meu grito por
socorro? A resposta para essas perguntas é não, Deus não rejeita oração e “não
se esquece da aliança”(Sl 105,8), ou em outras palavras, Ele não despreza aqueles,
cujos “nomes estão gravados em suas mãos e em seu coração”(Is. 49,16). O Pai
nunca se esquece, pois Ele“não dorme e nem cochila”(Sl. 121,4), mas vai de
encontro com aqueles que estão “perdidos e os resgatam”(Lc. 15,4), e esse
processo se da por meio de homens corajosos que vão em busca daqueles que estão
“gemendo e chorando no vale de lágrimas”, e os retira da cova dos leões,
fazendo brilhar sua glória e seu poder por meio daqueles que Ele mesmo suscitou
no meio do povo, para serem testemunhas vivas do Amor Misericordioso, que
escolhe, capacita e envia para que sejam
“luz das nações”(At. 13,47).
Deus continua a
chamar e enviar homens e mulheres para semear a palavra de esperança e amor, Ele
não se cansa, sempre acredita e confia naqueles que foram escolhidos, e os
sustentam com a “força que vem do alto”(Lc. 24,49), para adentrar nas prisões
da vida e “libertar os cativos”(Lc. 4,18),fazendo brilhar sua comiseração junto
aqueles que sofrem, para que libertos, façam a experiencia do amor e da
liberdade em Deus em suas vidas. Como
havia dito, somos livre, porque Jesus nos libertou, e o amor de Deus se da na liberdade humana, e assim, parafraseando o filósofo Sartre, estamos condenados
a ela, pois não existe amor sem liberdade,pois ambos andam juntos. E a vontade
do Pai é que não haja ninguém nas amarras da vida, mas, gozando da liberdade em Cristo Jesus , para
juntos como irmãos, membros da Igreja peregrina, em unidade e fervor , construamos
a “civilização do amor”, onde impere paz
e justiça a todos, sem distinção, mas em
unidade de espírito para confessarmos juntos que “Jesus é o Senhor, para Glória
de Deus Pai” (Fp.2,11).
(Rene José de Sousa)
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