Outro
dia ao cair da tarde, deparei-me com lembranças que vieram reacender em meu
coração sentimentos que haviam passados, mas nunca esquecidos. Lembranças que
me remetiam a um saudosismo, ao que já passou, o ontem, mas não o que faz 24
horas em poucos instantes, mas o ontem de 22 anos atrás, aquele em que faz
viajar até a infância, onde os meus maiores temores eram o “bicho papão e o boi da cara preta que
vinham pegar as crianças que tinham medo de careta e desobedientes” . Tempo que
não volta mais, mas que valeu a pena cada instante vivido, pois não queríamos
nada mais que ser criança, e mergulhar nas preocupações e encantos dessa própria
fase que nada mais era que, levantar cedo para ir brincar, ver desenho animado
e voltar a brincar novamente.
Fui
visitado na lembrança por pessoas que convivi, que me viram crescer, e outras
que vi partir, sem ao menos poder ter dito um adeus, carregado do mais sincero
e puro abraço de quem somente sonhava. Enquanto eu chegava poucos anos depois
elas partiam, retornavam ao fim último de cada ser. Aprendi que a vida é como em uma estação, “alguns
chegando pra ficar e outros embarcando pra nunca mais voltar”. Se eu pudesse
resumir a “ausência” desses queridos em uma palavra, seria saudade. Saudades do
que foi bom, suave e até tempestuoso, mas somente saudades. Todos esses
acontecimentos e pessoas que se foram e que ainda se fazem presentes, as
carrego na lembrança, pois são flores no jardim da minha vida.
Ao
buscar e reviver tais recordações, o coração acelera de tal modo em meu peito
que as vezes penso que vai sair pela boca, e dos meus olhos caem lágrimas ,
pois o passado se faz presente no pensamento, dando vida aquilo tudo que estava
adormecido, escondido. Não busco em tal ato as algemas que me tornarão cativo,
mas os flashes de uma vida carregada de
história, que vem de encontro ao coração para amenizar a ausência de muitos , e
reforçar mais ainda os laços que um dia foram criados, e creio que o tempo e muito menos a morte poderá apagar, pois
nada e ninguém morre quando se é lembrado ou carregado no coração de um outro
alguém que ama e foi amado. Os anos passaram ligeiro, e quando me dei conta, já
não era mais aquela criança, mas um adulto, com inúmeras responsabilidades
diante de algo que um dia fora sonhado, plantado. Como é estranho olhar o mesmo
cenário e encontrar tudo diferente, outros personagens, novas histórias. Eles
não sabem, mas, ali, bem pertinho deles há algo escondido, que não pode ser
negado, a experiência vivida com suas lembranças. É isto que resta-me, somente
lembranças.
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